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Retinoblastoma: O Que É, Sintomas, Diagnóstico Precoce e Tratamento do Câncer Ocular Infantil

Foto do escritor: Dra. Letícia Dourado
Dra. Letícia Dourado
18 de set.
6 min de leitura

Atualizado: 18 de set.

O retinoblastoma é o câncer ocular maligno mais comum na infância, afetando a retina de crianças, principalmente entre 0 e 5 anos. O principal sinal de alerta é a leucocoria (reflexo pupilar branco ou "olho de gato"), visível em fotos com flash ou sob luz direcionada. Quando diagnosticado precocemente e tratado em centros especializados, alcança índices de cura de até 90%, além de possibilitar a preservação do olho e da visão da criança. Para reforçar a conscientização no país, a Campanha "De Olho nos Olhinhos" (https://deolhonosolhinhos.org/) atua em conjunto com a SBOO e a comunidade médica.


Concientização do Retinoblastoma: Detecção precoce para a saúde ocular infantil.
Concientização do Retinoblastoma

O que é o Retinoblastoma?

O retinoblastoma é o tumor maligno intraocular mais frequentemente encontrado na infância. Trata-se de uma doença rara que se desenvolve na retina. No Brasil, estima-se o surgimento de 200 a 300 casos novos por ano.  


A doença representa 14% de todos os casos de câncer pediátrico em crianças com menos de 2 anos de idade. Mais de 90% dos diagnósticos ocorrem na faixa etária entre 0 e 5 anos, sendo a maioria detectada por volta dos 2 anos de idade.  


A incidência da doença é igual entre meninos e meninas, sem diferenças entre raças ou entre o olho direito e o esquerdo. O tumor pode surgir em apenas um olho (unilateral) ou em ambos os olhos (bilateral).


Anatomia Ocular: Onde o Câncer Ocular Infantil Começa?

Para compreender o retinoblastoma, é importante conhecer a estrutura básica do olho humano:  

  • Esclera: É o revestimento externo branco responsável por proteger o olho.  

  • Coroide: É a camada intermediária rica em vasos sanguíneos que nutrem as estruturas oculares.  

  • Retina: É a camada interna do olho que contém os fotorreceptores responsáveis por captar as informações visuais e enviá-las ao cérebro. É na retina que o retinoblastoma tem início.


Como Identificar os Sinais e Sintomas de Alerta?

Na maioria das vezes, o retinoblastoma é percebido pelos próprios pais, familiares ou pelo médico pediatra durante exames de rotina. Os principais sinais de alerta incluem:  


1. Reflexo Pupilar Branco (Leucocoria) ou "Olho de Gato"

A leucocoria é o sinal mais comum do retinoblastoma, estando presente em 60% a 80% dos casos.  


Normalmente, ao incidir luz sobre a pupila, observa-se o reflexo ocular vermelho, que representa a coloração saudável da retina e da coroide. No olho afetado pelo retinoblastoma, a pupila apresenta um brilho ou reflexo esbranquiçado. Esse fenômeno é comumente notado em fotografias tiradas com flash ou em ambientes iluminados.  


Atenção: A leucocoria também pode estar presente em outras doenças oculares pediátricas, como a retinopatia da prematuridade, uveíte, doença de Coats, persistência da vasculatura fetal e catarata. No entanto, o retinoblastoma é a doença mais grave entre todas elas. 


2. Estrabismo

O estrabismo ocorre quando os olhos não estão alinhados na mesma direção. Embora a maioria dos casos de estrabismo seja decorrente da fraqueza dos músculos oculares, o retinoblastoma também figura como uma de suas causas.  


3. Outros Sinais e Sintomas Menos Comuns

Além da leucocoria e do estrabismo, outros sinais podem surgir:  

  • Diminuição ou perda de visão.  

  • Movimentos irregulares dos olhos.  

  • Presença de tumor visível.  

  • Dor nos olhos.  

  • Vermelhidão na parte branca do olho (esclera).  

  • Abaulamento dos olhos.  

  • Heterocromia (cor diferente entre as íris).  


Tipos de Retinoblastoma e a Genética por Trás do Gene RB1

O retinoblastoma se apresenta em duas formas clínicas principais:  

Retinoblastoma Unilateral

  • Corresponde a cerca de 60% dos casos.  

  • Acomete apenas um olho, apresentando um único foco tumor.  

  • Costuma ser diagnosticado em idades mais avançadas do que a forma hereditária, por volta dos 2 anos.  

Retinoblastoma Bilateral ou Multifocal

  • Corresponde a cerca de 40% dos casos e representa a forma hereditária mais comum.  

  • É causado por uma mutação da linhagem germinativa em uma das cópias do gene RB1, presente em todas as células do corpo desde a formação do bebê.  

  • Como basta adquirir uma segunda alteração na outra cópia do gene RB1 para o desenvolvimento tumoral, os tumores tendem a ser bilaterais, multifocais e de surgimento mais precoce.  

  • Crianças com essa forma hereditária possuem maior risco de desenvolver novos tumores em outras partes do corpo na adolescência ou vida adulta.  

  • Um pequeno percentual pode desenvolver um tumor cerebral na glândula pineal (pineoblastoma), condição conhecida como retinoblastoma trilateral.


O Papel do Gene RB1

O gene RB1 em seu estado normal atua como um supressor tumoral, produzindo uma proteína que auxilia na morte programada de células com crescimento descontrolado. O retinoblastoma se desenvolve quando ambas as cópias do gene RB1 sofrem alterações.  


Diagnóstico Precoce e Rastreamento do Retinoblastoma

O diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de cura e salvar a visão e a vida da criança.  

  1. Exame do Reflexo Vermelho (Teste do Olhinho): 

    Deve ser realizado ainda na maternidade e acompanhado por avaliações oftalmológicas periódicas até os 3 anos de vida.  

  2. Exame de Fundo de Olho sob Anestesia: 

    Permite o mapeamento minucioso e completo de ambas as retinas.  

  3. Ultrassom Ocular Modo B (Ecografia Ocular)

    O ultrassom modo B é uma ferramenta indispensável no diagnóstico e estadiamento do retinoblastoma:  

    • Medição Tumoral Precisa: Permite aferir a Maior Dimensão Basal (MDB) e a altura da lesão intraocular, que se apresenta tipicamente como uma massa heterogênea e hiperecoica originada na retina.  

    • Achado Patognomônico de Calcificação: O ultrassom é extremamente sensível para identificar focos de calcificação intratumoral, caracterizados por ecos de alta amplitude com sombra acústica posterior — um sinal patognomônico essencial para confirmar o diagnóstico de retinoblastoma. 

  4. Ressonância Nuclear Magnética (RNM): 

    Realizada no crânio e na órbita, é essencial para avaliar o comprometimento extraocular, a possível invasão do nervo óptico e para realizar o diagnóstico diferencial com outras afecções oculares.  


Tratamentos Modernos para o Retinoblastoma

O tratamento é complexo, individualizado e exige a atuação de uma equipe multidisciplinar especializada. O plano terapêutico considera a idade do paciente, a localização e a extensão do tumor, além de ser unilateral ou bilateral.  

As principais modalidades terapêuticas utilizadas incluem:  

  • Terapia a Laser (Termoterapia): Feixes de luz focalizados aquecem e destroem as células tumorais.  

  • Crioterapia: Aplicação de uma sonda metálica sob baixíssimas temperaturas para destruir o tumor por congelamento.  

  • Braquiterapia: Radioterapia interna localizada, na qual uma placa com radioisótopos (como Iodo-125 ou Rutênio-106) é cirurgicamente fixada no olho.  

  • Quimioterapia: Utilizada para redução do volume tumoral e preservação ocular:  

    1. Poliquimioterapia Sistêmica: Protocolo VEC (Carboplatina + Vepeside + Vincristina).  

    2. Quimioterapia Intravítrea: Aplicação direta da medicação dentro do espaço intraocular.  

    3. Quimioterapia Intra-arterial: Infusão do quimioterápico através de microcateter diretamente na artéria oftálmica.  

  • Enucleação: Remoção cirúrgica do globo ocular, indicada nos casos avançados em que não há possibilidade de salvamento da visão ou há risco de disseminação da doença.  


Campanha de conscientização sobre Retinoblastoma: Identifique os sinais e sintomas do câncer ocular em crianças pequenas para aumentar as chances de cura.
Como identificar os sinais do Retinoblastoma? - Campanha De Olho nos Olhinhos 

A Campanha "De Olho nos Olhinhos"(deolhonosolhinhos.org)

A Campanha De Olho nos Olhinhos nasceu da experiência pessoal dos jornalistas Daiana Garbin e Tiago Leifert. Em setembro de 2021, a filha do casal, Lua, foi diagnosticada aos 11 meses de idade com retinoblastoma bilateral em estágio avançado.  

Ao constatarem a falta de informação do público geral e de cuidadores sobre a existência do câncer ocular infantil, Daiana e Tiago decidiram criar uma campanha de conscientização em âmbito nacional com a missão de promover o diagnóstico precoce e evitar o diagnóstico tardio da doença.  

Objetivos e Ações da Campanha:

  • Conscientização das Famílias: Alertar pais, mães e educadores para que observem com frequência os olhos das crianças e reconheçam sinais como a leucocoria e o estrabismo.  

  • Mobilização Nacional: Realização de eventos presenciais em shoppings, parques e centros urbanos por todo o país, aproximando médicos especialistas da população.  

  • Canal Direto de Ajuda: Em caso de suspeita da doença ou dúvidas no direcionamento do atendimento, a campanha disponibiliza o contato via e-mail: ajuda@deolhonosolhinhos.org.  

A iniciativa conta com o apoio técnico e científico de instituições médicas de referência, incluindo a SBOO (Sociedade Brasileira de Oncologia em Oftalmologia ), o CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia), a SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), a SOBOPE (Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica), a SBOP (Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica), o GRAACC (Hospital do GRAACC) e o INCA (Instituto Nacional de Câncer)


📄 Baixe a Cartilha Oficial de Retinoblastoma da SBOO

Para apoiar pais, professores, cuidadores e profissionais de saúde na identificação precoce dos sintomas, a Sociedade Brasileira de Oncologia em Oftalmologia (SBOO) disponibiliza o material oficial informativo.  


Autores:  Dra. Letícia Dourado | CRM-GO: 11790

Dr. Ever Ernesto Caso Rodriguez | CRM-SP: 160.376

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